NA LUTA CONTRA O MACHISMO – NOTA DAS MULHERES DO CACO

O Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, legítimo representante das e dos estudantes da Faculdade Nacional de Direito, é reconhecidamente uma entidade combativa e protagonista na luta por direitos sociais na UFRJ e no Estado do Rio de Janeiro. A gestão atual, composta pelo Movimento Pelo Direito, Sempre! entende possuir um compromisso com a história dessa tão importante instituição e, devido a isso, não se cala diante das desigualdades percebidas em nossa sociedade, que não estão descoladas e se refletem dentro das paredes de nossa faculdade.

As mulheres que compõem a gestão do CACO enfrentam o desafio diário de combater o machismo dentro de todos os espaços da Faculdade Nacional de Direito. Nas salas de aula, nas reuniões de departamento, nas festas estudantis e até mesmo nos ambientes virtuais, procuramos nos posicionar firmemente no combate ao machismo, garantindo ambientes livres de qualquer forma de opressão de gênero. No entanto, sabemos que ainda temos muito a avançar. Recentemente, dentro de um dos espaços virtuais de nossa Faculdade, presenciamos frequentes manifestações de machismo, homofobia e sexismo, na qual, enquanto mulheres, nos posicionamos. Importante lembrar que, apesar de não fazerem parte da administração dos grupos de facebook da faculdade, as integrantes do CACO sempre buscam estar presentes nas mais diversas discussões acadêmicas, além de manifestarem-se quando existem abusos e opressões. Acreditamos que o debate saudável e empático seja o mais adequado para combatermos o machismo e as diversas opressões de gênero, principalmente em se tratando de espaços virtuais. Porém, nunca tivemos medo também de partir para o enfrentamento, quando fosse necessário, para garantir que esses ambientes ainda sejam espaços confortáveis para as mulheres de nossa faculdade.

É devido a isso, que muito nos surpreende e entristece a Carta de Repúdio criada pelo grupo “Universidades Feministas” e assinada por diversos coletivos, na qual a instituição CACO e a gestão atual são taxadas, sem mais delongas, de machistas.

As atitudes e comportamentos denunciadas pela referida Carta são também repudiadas pela atual gestão do Centro Acadêmico. Entendemos como política da gestão que devemos descontruir o patriarcado em todas as suas esferas, dentro e fora da UFRJ. Não à toa criamos em 2014 uma Diretoria de Mulheres específica para essas discussões; buscamos sempre a paridade de gênero nas demais diretorias; discutimos as músicas da faculdade com alunas/os e a Atlética; construimos plataformas de luta que vão desde palestras a atividades lúdicas de intervenção em nossos ambientes de organização. Prezamos sempre pela discussão ampla do patriarcado e machismo enraizados na sociedade, que sem dúvidas não estão descolados dos espaços e movimentos que construímos, mas certamente não merecemos receber o título de “manchadoras da história de lutas do CACO”, atribuído pela referida Carta de repúdio.

Diferentemente do que a mensagem afirma, nós construímos um Centro Acadêmico que: NÃO é conivente com as agressões machistas perpetradas no âmbito de nossa sociedade e Universidade; acompanha SIM a semana de calourada, orientando as comissões de trote para que as atividades sejam saudáveis e não opressoras; problematiza SIM as músicas cantadas em contexto de jogos universitários, tanto para a Atlética de nossa faculdade quanto para o corpo acadêmico no geral; atua SIM institucionalmente nos ambientes virtuais de nossa faculdade, produzindo, inclusive, notas institucionais de afirmação e de combate ao machismo nesses ambientes; busca SIM tornar os ambientes da Faculdade Nacional de Direito em espaços livres de quaisquer formas de opressão de gênero.

NÃO aceitaremos ser taxadas de coniventes e silentes numa luta que tanto nos é cara e que tanto nos esforçamos para travar num dos cursos mais conservadores e masculinos desse país, o Direito. Nossas companheiras de convívio, de trabalho e de luta não são perseguidas e humilhadas por defenderem o combate ao machismo em nossa faculdade à toa. Nosso esforço para ocupar os espaços políticos e de decisão, dentro e fora do Centro Acadêmico não são apenas válidos, como também são nossos maiores motivos de orgulho, enquanto pessoas, enquanto militantes pelos Direitos Humanos, enquanto mulheres, enquanto feministas, enquanto Movimento Pelo Direito Sempre e enquanto Gestão do Centro Acadêmico 2014.

Acreditamos que o feminismo deve ser combativo, mas também construtivo, empático e empoderador de mulheres. Por isso, convidamos o grupo “Universidades Feministas”, criador da referida Carta de Repúdio para a Reunião Aberta da Diretoria de Mulheres do CACO no dia 11/09 às 18 horas, para que possamos entender o fundamento dessas afirmações. Da mesma forma, convidamos o Coletivo Direito de Resistência (único coletivo de dentro da Faculdade Nacional de Direito a assinar a carta) para esta conversa, para entendermos o porquê de corroborarem com tais acusações, tendo em vista que não se manifestaram enquanto grupo político nos gritantes casos de machismo e opressão de gênero ocorridos nesta Faculdade em 2014, negligenciando questionamentos nos espaços virtuais.

Nossa luta deve compreender a percepção dos valores dados e questioná-los, enfrentá-los, empoderando, por fim – e por meio – uma contra-hegemonia empática e afirmativa. O feminismo não deve ser usado como bandeira para manobras e disputas políticas. Porque o feminismo tem a ver com amor, compreensão, direitos e empatia, mas em especial: com sororidade – a solidariedade entre mulheres. Um feminismo construído com repúdio a mulheres, torna-se um feminismo desconstruído. Nós mulheres, devemos permanecer unidas na desconstrução do patriarcado em nossos diversos espaços de atuação. E quando alguma companheira se sentir insatisfeita, não precisamos chamar o outro, mas chamar a mesma. Acreditar que somos capazes de nos acompanhar, nos defender e nos compreender é uma ideia que nós, mulheres do Movimento Pelo Direito Sempre temos como referencial. Isso porque temos a convicção tranquila, simples e forte de que a luta de uma é a luta de todas nós!

“Companheira, me ajude, eu não posso andar só
Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor!”

– Alessandra Torres – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Amanda Rostum – Diretora de Diversidade Sexual e Gênero do CACO
– Anna Carolina Soares – Diretora de Mulheres do CACO
– Camila Figueiredo – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Caroline Cubas – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Danielle Tavares – Diretora de Mulheres do CACO
– Ingrid Figueirêdo – Diretora de Movimentos Sociais do CACO
– Izabel Rodrigues – Ex-diretora de Combate às Opressões do CACO (gestão 2013)
– Joana Loureiro – Diretora Sócio Cultural do CACO
– Julia Helena – Diretora de Patrimônio e Finanças do CACO
– Larissa Lemgruber – Diretora Administrativa do CACO
– Larissa Paciello – Diretora Acadêmica do CACO
– Leandra Barcellos – Diretora Executiva do CACO
– Ludmila Coelho – Diretora de Imprensa do CACO
– Maria Isabel Pomaroli – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Mariana Moretti – Diretora de Pesquisa e Extensão do CACO
– Natália Trindade – Ex- Diretora Executiva do CACO, Advogada Ativista e Atual Membro da Comissão OAB Mulher
– Nathália Almeida – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Olga Martins – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Raquel Lopes – Integrante do Movimento Pelo Direito, Sempre!
– Vanessa Santos – Diretora Administrativa do CACO

(Todas integrantes do Coletivo de Mulheres da UFRJ)

CACO 2014 – Movimento Pelo Direito, Sempre!
Movimento Pelas Mulheres, Sempre!

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