A NOSSA LUTA É TODO DIA

O CACO, Gestão Pelo Direito, Sempre!, vem a público se manifestar sobre os ataques sofridos por alunas da Faculdade Nacional de Direito na última sexta-feira, dia 07/11/2014. Como se não bastasse o constante medo de alunas e alunos ao passar pelos arredores da faculdade, em razão da falta de segurança, o caminho de chegada e saída da FND tem significado também a violência contra a mulher.

Entendemos que, infelizmente, o problema da opressão em relação a mulher no espaço público é gritante. Isso porque, em nossa compreensão, a sociedade tem, em seus valores, entre as divisões atribuídas ao gênero, a ideia de que o espaço público é do homem. O que faz com que, por exemplo, algum homem “se sinta no direito” de proferir uma série de absurdos em relação a mulheres que passem nas ruas. É importante compreendermos que a luta por um espaço público em que homens e mulheres tenham o mesmo respeito é urgente.

Acontece que, nessa sexta-feira, duas companheiras da Nacional passaram por situações graves a caminho da faculdade. Enquanto uma passou por situação no metrô a qual nós repudiamos, ouvindo reiterado discurso de ódio de um homem desconhecido a respeito das roupas que usava, outra sofreu violência de gênero ao caminhar para a faculdade, sendo abordada fisicamente por um homem e encurralada nos muros da FND.

Em relação a isso, procurado por uma integrante da Gestão, o Diretor Flávio Martins, expediu um ofício para o batalhão de polícia, explicando o acontecimento e solicitando mais policiamento nos entornos da FND. A aluna, por sua vez, se encaminhou à DEAM da Rua da Carioca com seus amigos, no intuito de registrar uma ocorrência. O que ela não sabia é que seria vítima de outra violência, ao ser atendida por dois policiais: a institucional. Um destes policiais, inclusive, tentou convencê-la a não fazer o BO. “Disse para ele que estava ali para registrar a ocorrência, porque a insegurança perto da faculdade é gigantesca e, se deixarmos tudo passar em branco, nada vai mudar. Depois disso ele simplesmente saiu e me deixou sozinha na sala”.

Entendemos que Leis (como a 11.340/06 – Lei Maria da Penha) signifiquem um avanço na luta por reconhecimento da mulher. É necessário e urgente, no entanto, que venham acompanhadas de Políticas Públicas em Direitos Humanos que tornem possível uma realidade melhor para nós, mulheres. E isso começa com um atendimento humanizado e especializado, preparando os funcionários para tal. Prestamos nosso total apoio a essas alunas, bem como a todas as outras que também passaram por alguma ocorrência da qual não tenhamos conhecimento. Da mesma forma, entendemos que a questão da segurança não é apenas sobre policiamento, o que torna necessária a nossa ampla discussão acerca do assunto com as alunas da FND.

Diante disso, convocamos as alunas da Nacional de Direito para a Roda de Conversa do CACO “Vamos falar da segurança das mulheres da FND?”, no Salão dos Passos Perdidos (hall de entrada para o Salão Nobre) nesta quinta-feira, dia 13/11, às 16:30h, para pensarmos juntas propostas e soluções acerca disto, além de pensarmos em intervenções da calçada da Praça da República na qual tudo isso vem acontecendo.

CACO 2015 :: Pela Igualdade de Gênero, Sempre!

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